Virou! O Nordeste trouxe Lula de volta, e como a matemática já sabia desde as 19h17 baiaoutubro 26, 2026 2º turno, 25/10/2026. No primeiro turno baixamos o código do Rodrigo Mahlmeister, o cara que cravou o resultado e cujo código, neste turno, faz a projeção do Estadão. O objetivo era entender ou amenizar a agonia possível do segundo turno, então às 16h e alguma coisa já começamos a rodar máquinas! O autor indicava esperar cerca de 2% a 2,5% das urnas apuradas para a projeção valer. Foram momentos intensos, e a pergunta principal era uma só: dá para comemorar? A matemática sustenta essa confiança? Com 2% a 2,5% dos resultados apurados, já dava para comemorar, ou para lamentar e pensar no que poderia ter sido mais bem feito. A vida disse sim: podíamos comemorar! Resultado: Lula 51,79% × Flávio 48,21% dos votos válidos (100% apurado). Diferença de cerca de 4,4 milhões de votos: 64,25 milhões para Lula e 59,82 milhões para Flávio. Acompanhamos a apuração minuto a minuto, primeiro em casa e depois na praça, com um modelo de projeção estatística em duas versões: uma calibrada com o 1º turno de 2026 e outra com o método original, baseado em 2022. A cada minuto ele estimava o resultado final a partir das urnas que já tinham chegado, levando em conta de onde elas vinham. Os momentos da noite 17h06: largada 1. Saem dois lotes pequenos, com 0,4% das urnas. Depois disso, a divulgação parou: o conflito gerado pelo boicote ao transporte público nacional estendeu a votação até as 19h. 19h04: largada 2. A contagem recomeça com Lula na frente: 52% com cerca de 2% apurado. 19h17: primeira projeção. As duas versões do modelo cravaram Lula vencedor, com cerca de 52,3%. A faixa ainda era larga, mas já ficava toda acima de 50%. 19h46: Flávio passa à frente, com 14% das urnas apuradas. O Sul e o Centro-Oeste apuram rápido, e o Paraná sozinho deu a Flávio mais de 1 milhão de votos de vantagem até ali. 20h03: o pior momento para Lula. Flávio chegou a ter 50,5% × 49,5%, com 25% apurado. Foi a hora de maior tensão. Mesmo assim, o modelo dizia o contrário: Lula com 51,3% no final. Faltava apurar a capital paulista, o Rio e, principalmente, o Nordeste. 20h25: a virada. Com 48% apurado, Lula volta à frente (50,03%) e não sai mais. Daí em diante a linha preta só sobe até encontrar a projeção. 21h13: fim. Lula com 51,75%. A última projeção dizia 51,78%. Por que a virada aconteceu: a geografia da apuração A ordem em que os estados apuraram explica a montanha-russa. Veja, em ordem cronológica, a vantagem (votos de um candidato menos os do outro) que cada estado acrescentou. Até 20h03, o Sul na frente. PR (1,1 milhão de votos de vantagem), RS (442 mil), SC (324 mil) e MT (285 mil) puxaram Flávio. Do outro lado, só PB (738 mil), MA (545 mil), PE e BA tinham apurado o bastante para equilibrar. De 20h03 a 20h25, o Nordeste chega. PE (747 mil), CE (660 mil), BA (626 mil) e MA (522 mil) somaram mais de 2,5 milhões de vantagem para Lula. É mais do que SC, SP, PR e GO juntos deram a Flávio no mesmo intervalo. Depois das 20h25, a Bahia decide. Só a Bahia acrescentou 2,9 milhões de vantagem para Lula na reta final. CE (1,3 milhão), PE (1,2 milhão) e PI (892 mil) completaram. São Paulo (1,1 milhão), SC (794 mil) e RJ (546 mil) seguiram com Flávio, mas não alcançaram. No resultado final, os estados que mais pesaram para Lula foram BA (71% para Lula, 3,8 milhões de vantagem), PE (69%, 2,3 milhões), CE (69%, 2,2 milhões), MA e PI. Do lado de Flávio: SP (54% para Flávio, 2,0 milhões de vantagem), SC (69%, 1,8 milhão), PR (63%, 1,7 milhão) e RS. Do 1º para o 2º turno: onde Lula cresceu No 1º turno, Lula teve 45,2% dos votos válidos. Contando só os votos dos dois finalistas, Lula tinha 49,0% e Flávio estava na frente. No 2º turno, Lula chegou a 51,75%: ganhou 10,1 milhões de votos em relação ao 1º turno, contra 3,6 milhões a mais de Flávio. As comparações abaixo usam só os votos dos dois, para comparar igual com igual. Lula cresceu em todos os 27 estados. Não houve um único estado onde ele tenha perdido terreno. Minas Gerais virou. No 1º turno, Flávio estava à frente de Lula em Minas (47,3% para Lula entre os dois). No 2º turno, Lula venceu com 50,4%. Foram 1,14 milhão de votos a mais para Lula, contra 450 mil a mais para Flávio. Como dizem: quem ganha Minas costuma ganhar o Brasil. O maior crescimento foi no Sudeste. No Rio de Janeiro, Lula foi de 42,6% para 46,9% (+4,3 pontos), e 81% dos votos novos foram dele. Em São Paulo, foi de 42,4% para 46,1% (+3,8 pontos). Lula perdeu os dois estados, mas diminuiu muito a distância. São Paulo foi onde Lula mais ganhou votos: 2,6 milhões a mais que no 1º turno, contra 1,2 milhão de Flávio. Também no campo adversário, Lula cresceu mais de 3 pontos em Goiás (+3,7), Santa Catarina, Mato Grosso do Sul, Paraná, Distrito Federal e Rio Grande do Sul. Ele não venceu nesses estados, mas tirou votos importantes da margem de Flávio. No Nordeste, onde Lula já era muito forte, o crescimento em pontos foi menor: Bahia +1,4 e Piauí +1,2. Em votos, porém, pesou muito: 756 mil a mais na Bahia, 543 mil em Pernambuco e 473 mil no Ceará. Em Alagoas, 95% dos votos novos foram para Lula, e no Rio Grande do Norte, 92%. Os municípios de peso A capital paulista deu a Lula a maior vantagem do país: 760 mil votos (55,5%). Isso apesar de o estado de SP ter dado 2 milhões de vantagem a Flávio. Só entre 20h03 e a virada, a capital acrescentou 650 mil para Lula. Salvador: 710 mil de vantagem (73,3%), seguida de Fortaleza (312 mil), Recife (233 mil), Teresina (178 mil) e São Luís. O Rio de Janeiro capital ficou com Lula por pouco (51,5%), e Feira de Santana deu 103 mil. Para Flávio, as maiores vantagens vieram de Curitiba (277 mil; Lula teve 37,7%), Goiânia (203 mil), Joinville (173 mil; só 26% para Lula), Brasília, Manaus, Londrina, Campo Grande e Blumenau. O modelo acertou? O vencedor estava certo desde a primeira projeção, às 19h17, inclusive durante todo o tempo em que Flávio liderou a contagem. No pior momento de Lula, o modelo errou para baixo em cerca de 0,5 ponto (dizia 51,3%; deu 51,75%). A faixa de confiança naquele momento ficou estreita demais, uma lição para a próxima eleição. A partir das 20h25 (46% apurado), o erro ficou abaixo de 0,2 ponto. Com 75% apurado, praticamente zero. As duas versões (1º turno 2026 e base 2022) andaram juntas a noite toda, o que dá confiança ao método. Moral da noite: quem estava na frente às 20h não era quem ia ganhar. Na apuração brasileira, a ordem importa: o Sul apura primeiro, e o Nordeste e as grandes capitais chegam depois. A festa foi boa, a luta continua! Dados: TSE, divulgação oficial dos resultados. Modelo: apuracao-2026 (R. Mahlmeister, que privou o github original, então quem baixou, baixou…), adaptado e rodado localmente. Vantagem = votos de um candidato menos os do outro.